há vida na Amaral Gurgel
e o fusca paçoca levou a gente lá, até o Amigo Leal, um boteco com seus 42 anos (mesma idade do paçoca), aberto pelo mesmo Léo da Rua Aurora.
melhor bolinho de bacalhau da minha vida.
o chopp é mesmo muito bom, mas ainda prefiro o do bar do Alemão, da Mooca.
lugar certo pra quem gosta de boteco, do centro de SP, de história, de lugares inusitados, chucrutes, dois pastel e um chopps.
ultimamente eu ando muito paulistana. eu chego a gostar dos cantos fedidos.
mas vai com fé no Leal, lá é bem simples mas não é nada sujo não, apesar do local não ser um dos mais bonitos. Eu sei porque conheci o banheiro, que diz tudo sobre a limpeza do lugar!
e eles também são super simpáticos, até ganhei um prato da casa e uns copinhos de cachaça de lembrança.
é uma dica do paçoca. e se ele me levar de novo eu vou gostar.
porque virada de ano faz a gente escrever post longo.
Faz uns dias que eu estou com vontade de escrever. Não escrevi por falta de tempo. Só que o tempo que correu com outras coisas fez o assunto voar, ou juntar com outros que foram surgindo e os assuntos foram se acumulando. E o acúmulo virou empecilho também. Até que a falta de tempo – a culpada por eu não ter escrito antes – acabou virando um motivo pra eu escrever agora e é o tema deste post.
Falar da falta de tempo é muito, muito chato. Essa desculpinha que tenta justificar o que deixamos de fazer é muito “carne-de-vaca”, como dizem por aí. A eterna correria da pós-modernidade. É um papo nada original. Mais chato ainda é perceber que ele nunca terá fim. Nunca teremos tempo para fazer tudo o que queremos. E eu estou muito cansada de saber disto e mesmo assim não se conformar. Natal e Ano Novo são grandes exemplos do que eu quero dizer. O feriado chega de um jeito que a gente não acredita (“mas já?”). Depois é um correr pra comprar presente, correr para fazer compra no mercado, correr para fazer o assado, correr para comprar uma roupa ou uma calcinha nova. A festa é aquela loucura: em poucas horas você tem que comer de tudo um pouco, beber de tudo um muito, depois lavar louça que não acaba mais, dividir o que sobrou (“quem leva o quê?”), catar os presentes que ganhou no meio de um monte de embalagem de presente e ir embora empanturrado. É como realizar um check-list. E eu sei que esse papo é bem furado também. A gente reclama, sente que falta algo, mas depois acaba fazendo igual o ano que passou. A coisa boa é a reunião da família, amigos, estar perto, abraçar. Nisso eu vejo sentido. Mas é muito sem sentido passar 365 dias sem fazer uma ligação e nos últimos dias do ano correr pra comprar uma “lembrancinha”. Se reunir as pessoas é uma coisa boa, porque não fazer isso mais vezes durante o ano? Aí você volta ao problema da falta de tempo. Gente, tudo isso é sacal porque é óbvio, mas por que cargas d’água continuamos a lutar pra ter o tempo que falta? Isso nem deveria ser um problema porque a gente só sente falta do que já teve e o tempo nunca foi nosso.
Eu tenho pensado nisso. E é por isso que a única promessa de ano novo que eu faço é dar um chega-prá-lá no tempo. Eu não vou planejar n-a-d-a. Eu não vou contar as horas, nem os anos da minha identidade. Eu não vou estressar com a “lista de coisas que eu tenho que fazer”. Eu vou cagar pro tanto que falta pra eu realizar o que eu quero. Porque a gente sempre quer mais alguma coisa e esse tanto que falta aí é só a vida inteira. É lógico que eu vou continuar querendo ser e querendo ter, mas minha prioridade maior será aproveitar ao máximo o que eu já sou e o que eu já tenho. E vou fazer nadica de nada várias vezes por ano, se isso for da minha vontade. Devagar e sempre, será meu lema. Saber priorizar será minha arte. E gastar meu tempo com quem eu amo minha mais doce obrigação. Que assim seja.
Essa é minha promessa e é o que eu pretendo realizar em 2010. Pra mim isso significa ser feliz.
Não é pouco, mas no fundo é simples. E que fique gravado aqui pra eu não esquecer quando o ”Monstro Sist” tentar me engolir de novo.
deixa eu te explicar o que me preocupa: que que era mesmo?
Não me julgue pelo o que eu faço, porque o que está por trás dos meus atos é o que eu penso e a minha lógica não é das mais óbvias.
Não tente entender meus pensamentos, porque mesmo se eu te falasse você não entenderia.
E mesmo se entendesse. Amanhã posso mudar de idéia.
Pessoas razoáveis fazem isso quando encontram motivo.
Por isso, não me julgue também pelo o que eu falo.
Pior ainda me julgar pelo o que eu escrevo.
Mesmo quando estou em primeira pessoa, a inspiração nem sempre está em mim.
Então julgue-me pelo meu bocejo.
Um bocejo fala mais que mil palavras.
discurso de colação de grau
que a gente perceba o que vale a pena perder ou ganhar no caminho.
e não no fim.
que a gente enxergue que há louros para serem colhidos no caminho.
e não só no fim.
que a gente seja mais gente no caminho.
que a gente seja mais caminho do que fim.
minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos
é fácil assumir as escolhas
difícil é assumir os pecados.
Amar é…
Querer estar junto para sempre. Vontade de estar perto e gostar da presença. Esquecer da vida quando se encontram. Perceber que curtos momentos com ele é melhor do que todo o resto do dia. Aproveitar todo o tempo que têm. E perceber que nunca é o suficiente. E que mesmo que ele atrapalhe um pouco seu rumo, mesmo que você ache que não era a hora certa, amar é não deixar o amor escapar. Quanto mais íntimo, quanto mais próximo, melhor. E nunca virar prioridade, porque não é planejamento, foco e nem obrigação. Amar é transformar o amor em você.
Pode ser piegas, pode parecer normal, mas não é não, tem muita, muita gente que não sabe amar desse jeito. É bom ser capaz de amar assim. E olha que eu nem estava falando de gente. E eu juro, palavra, nem de cachorro.
o botão do foda-se.
Antigamente ele não era tão necessário, mas tornou-se essencial em tempos exigentes, de correria absoluta, velocidade frenética, valorização da aparência, efemeridades e sentimento constante de perda de tempo.
Não é fácil acioná-lo diante de tanto estímulo. Mas é uma questão de prática.
Eu comecei com um visível e palpável, criação própria. Agora eu nem preciso mais dele porque já tenho um chipado em mim. O próximo passo é ter um de acionamento automático.
sexta-feira.
Passar uma noite quente de sexta-feira sozinha em casa pode ser prazeroso.
Suspeita essa frase, não?
Mas quando se tem um cachorro maluco em casa, uma vitrola, uma casa árabe vizinha a vida fica mais fácil, e até uma sexta-feira quente em casa, sozinha, nem é tão chato assim. E ainda tem aquele livro começado que daqui a pouco vou devorar. Até que é bom ficar sozinho de vez em quando.
Triste é ser sozinho. Acho que aí é solidão. Apesar que pode-se sentir solidão até acompanhado. Bem, na verdade nunca pensei na solidão seriamente. Não sei bem o que é isso e acho que nunca senti solidão. Poderia ter sentido numa época, mas não senti por causa dos amigos.
Amigo é sorte. E eu sou uma pessoa bem sortuda.
Não sei o que é sentir solidão, mas sei bem o que é saudade.
E agora me bateu saudade de algumas estrelas da sorte que devem estar brilhando em algum lugar, nessa sexta-feira gostosa.
Assim espero. Que nenhuma esteja apagadinha.
pequena miss sunshine
Outro dia eu ouvi: vou vencer na vida.
Dei as costas e torci o nariz.
Que frase estranha!
Estranho achar o comum estranho.
É que eu gosto desta palavra.
Estranho o gosto pelas palavras.
Esquisito.
Tem mosquito, diria Vinícius.
E não é esquisito o mundo ter mosquito?
Passar batom é esquisito também.
E por que inventaram o cafezinho?
Eu também sou esquisita.
Sempre planejando um projeto Vai que vira Estamos Indo.
Pra onde?
Não importa.
O importante é ter uma Kombi amarela e gente que empurra.
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